
Da esquerda para a direita: Bernardo Wu, Raimundo Carvalho, Mestre Herculano, Heitor Moreira, Rodrigo Pacheco, Igor Silva, Altenísio Albuquerque, Luís Cardoso, Mestre Braga, Mestre Clovis, Francisco Abreu, Mestre Jair Gabriel, Mestre Edson Lodi e Mestre José Carlos.
Ao ser criado em 25 de julho de 1991, sob a liderança do Mestre Altenísio José de Albuquerque, firmou-se, no âmbito do Centro Espírita Beneficente Ordem do Templo Universal de Salomão (OTUS), a convicção de que a sua existência seria temporária, pois o objetivo era o de que todos os seus integrantes fizessem parte do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal (UDV), raiz originária da semente plantada pelo Mestre Gabriel.
O Mestre José Luiz de Oliveira conta que, alguns anos antes de chegar à Representação Geral, foi procurado pelo Mestre Altenísio que lhe pediu apoio para que os irmãos da Otus pudessem chegar à União do Vegetal. Naquela época, o Mestre José Luiz explicou que não ocupava nenhum cargo na alta direção do Centro e não teria condições de auxiliar. Porém fez um compromisso com Mestre Altenísio: no dia em que ocupasse o lugar de Mestre Geral Representante teria condições de auxiliar naquele pedido. Foram alguns anos de espera por parte dos irmãos da Otus.
Durante dez anos aquela irmandade caminhou aguardando o momento propício para chegarem à UDV. Quando o Mestre José Luiz de Oliveira estava no exercício de sua primeira Representação Geral, em 2001, o Mestre Altenísio procurou-o novamente, fazendo o mesmo pedido. Todavia, naquela oportunidade ainda não foi possível concretizar a tão sonhada integração da irmandade da Otus à UDV.
Em 2003, o Mestre José Luiz de Oliveira foi reeleito Mestre Geral Representante e solicitou ao Mestre Clovis Cavalieri Rodrigues de Carvalho, à época Mestre Assistente Geral, que presidisse uma comissão composta por membros da UDV e da Otus para tratar do assunto em Porto Velho (RO). Pela União do Vegetal, além do Mestre Clovis, fizeram parte da Comissão os Mestres: Raimundo Carneiro Braga, Francisco Herculano de Oliveira, Jair Gabriel da Costa, José Carlos Garcia, Edson Lodi Campos Soares e Luiz Felipe Belmonte dos Santos, além de representantes da Otus. Foram feitas reuniões em Porto Velho no Núcleo Mestre Gabriel.
Até aquele momento nenhuma outra sociedade havia se integrado à União do Vegetal, e existiam ressalvas por parte de alguns. Mestre Edson Lodi recorda que, num dado momento, quando algumas incertezas se apresentaram, Mestre Clovis trouxe palavras firmes que nortearam os encaminhamentos para a resolução. Ao lembrar daquele acontecimento, Lodi fala do seu sentimento de felicidade: “Participar do movimento de integração da Otus com a União do Vegetal foi uma grande honra e conquista. Trabalhar junto com o Mestre José Luiz, que nos guiou em busca do objetivo, foi um grande aprendizado. Tive ainda a felicidade de ser designado por ele para ser o Mestre Representante do Núcleo Luz do Oriente, em Brasília-DF, cuja grande maioria da irmandade era de pessoas advindas da Otus. Foram dias de intensa alegria e de aprendizados”.
Após a reunião em Porto Velho, decidiu-se que os aproximadamente 500 associados da Otus, em todo o Brasil, seriam recebidos na UDV, abrindo mão dos graus e títulos que tinham na antiga sociedade e chegando à União do Vegetal como todos chegam: no Quadro de Sócios (bolso branco), porém com as mesmas condições de galgarem os degraus da UDV – o que veio acontecer tempos depois, quando os antigos dirigentes da Otus chegaram aos lugares da Direção na União do Vegetal. A data que marcou a integração da Otus com a UDV foi o dia 27 de setembro de 2003 – comemoração de São Cosmo e São Damião –, em Sessão do Vegetal dirigida pelo Mestre José Luiz de Oliveira no Núcleo Mestre Gabriel. Esse acontecimento ficou conhecido como “integração”.
“Eu ouvi o Mestre Gabriel dizer que a União do Vegetal é para todos, agora nem todos é (sic) para a União do Vegetal. Mas aquele que quer seguir na União do Vegetal não é para nós pôr obstáculo. Meu sentimento é cumprir o que eu ouvi do Mestre Gabriel, as orientações dele. Mas tudo tem o momento certo para acontecer, não é de qualquer jeito. Sinto alegria ao ver as pessoas felizes, alegres, por terem integrado a União do Vegetal. Eles chamaram ‘integração’ e muitos deles continuam na União. Aquele acontecimento foi a porta para que outros grupos chegassem até a UDV”, relembra o Mestre José Luiz de Oliveira.
Em todo o Brasil, mais oito Núcleos também tiveram origem a partir da integração da irmandade da Otus: Templo de Salomão (Porto Velho/RO), Luz do Norte (Manaus/AM), Sereno do Mar (São Luís/MA), Conselheiro Salomão Gabriel (João Pessoa/PB), Luz do Oriente (Brasília/DF), Cajueiro Pequenino (Cascavel/CE), Mãe Santíssima (Santa Maria/RS) e Estrela Bonita (Bertioga/SP).

Mestre Clovis Cavalieri destaca um acontecimento interessante desse movimento: “O Núcleo Estrela Bonita, em Bertioga (SP), foi o derradeiro Núcleo em que esse trabalho foi concluído. Sem que houvéssemos combinado, estávamos lá eu e Mestre Altenísio na Sessão, para confirmar e festejar na luz do Vegetal o cumprimento de tudo que tínhamos tratado e que, com a Graça de Deus, foi realizado com êxito. Tenho pelos antigos integrantes da Otus um carinho especial e guardo no meu coração aqueles momentos importantes, onde demos passos firmes e seguros para a primeira e grande realização de uma união de outras sociedades à nossa Sagrada União do Vegetal de forma pacífica e serena”.
Mestre Altenísio dizia que, na verdade, aquele movimento que aconteceu era um reconhecimento para que pudesse ser cumprida a palavra do Mestre de um dia haver um só pastor e um só rebanho.
Vinte anos se passaram e a fortaleza da união dos caianinhos, por meio dos ensinos do Grande Mestre Gabriel, tornou indissolúvel o sentimento que nos fez, e faz, querer navegar neste mesmo barco e numa só direção. Ontem, agora e sempre.
*Rodrigo Bomfim Pacheco pertence ao Quadro de Mestres do Núcleo Príncipe Ancarilho, em Guarapari/ES – era o dirigente da Otus na época da integração.