
Ao longe, ouvia-se o barulho do trem. Nele, entre tantos outros passageiros, vinham José Gabriel da Costa, a companheira dele – Raimunda Ferreira da Costa – e sete filhos do casal, até aquele momento: Getúlio, Jair, Jandira, Carmiro, Abomir, Róseo e Salomão Gabriel – este, com pouco mais de dois meses de vida. Saídos do coração da floresta amazônica em direção a Porto Velho, chegaram na passagem do ano de 1964 para 1965.
Como é comum durante a virada do ano, havia muitos fogos de artifícios, mas, para aquelas crianças vindas da floresta, aquele movimento e luminosidade dos fogos chamou-lhes a atenção e marcou a memória deles – alguns estavam vendo aquilo pela primeira vez. Aportaram na cidade e deram início a um novo momento na história da União do Vegetal.
Numa data como a de hoje, José Gabriel e a família dele viviam os primeiros dias do ano de 1965 residindo na capital de Rondônia. Com empenho, ainda estavam buscando as melhores condições para ali habitar. No entanto, na consciência e no pensamento deste senhor, havia a plena certeza da missão a cumprir e do objetivo para o qual estavam vindo para a cidade.
Neste momento em que um novo ano está se apresentando, com a chegada dos primeiros dias e com o sentimento de renovação no ar, podemos nos espelhar neste exemplo do Mestre, de procurarmos saber a nossa missão, de fazermos o possível para cumprirmos com ela e termos cada vez mais confiança neste objetivo maior do Mestre Gabriel: fazer uma Paz no mundo.
Mesmo diante de tantas circunstâncias desafiadoras dos tempos modernos, este nobre propósito do Mestre permanece atravessando décadas e assim o será enquanto houver quem desta União do Vegetal precisar.
A chegada de um novo ano, naturalmente, traz-nos a percepção do transcorrer do tempo. E há um entendimento de que esta noção de “temporalidade” seja apenas uma referência humana. Porém, podemos observar este movimento na própria Natureza: no nascer e no pôr do Sol, no surgimento da Lua, no movimento dos astros no céu. Até mesmo nas plantas e nos animais, nitidamente vemos que eles têm o momento de nascer, de crescer, de se desenvolver, de florir, de se multiplicar, de se renovar e de dar continuidade à Obra do Criador.
Por esta observação, percebemos que o tempo não é apenas um conceito humano, mas também uma expressão de Deus, que nos concedeu a vida e o direito de usufruirmos das maravilhas deste mundo.
Pedimos ao Mestre Gabriel que, neste novo ano de 2024 – e sempre -, continue nos guiando e nos clareando para que possamos fazer o melhor possível para continuarmos zelando pela Obra dele, pelo bem da humanidade.
Com votos de feliz 2024 e sempre,
Equipe do Blog.
*Giuliano Villa Nova é integrante do Quadro de Mestres do Núcleo Tucunacá (11ª Região) e Diretor Adjunto do Departamento de Memória e Comunicação da Diretoria Geral (DMC-DG), no triênio de 6.01.2021 até 6.01.2024.